Terceirização

Abro esta pensata com a seguinte pergunta: Como fica o terceiro no organograma da sua empresa?

A terceirização sempre foi importante para as empresas de um modo geral, isso é consenso. A tendência (ou talvez nem seja tendência, seja realidade) é que o número de terceirizações fique cada vez maior e, portanto, passe a ser ainda mais impactante para as organizações. Afinal, já é possível terceirizar até mesmo a atividade fim.

Não vou tratar aqui sobre como está o controle burocrático do contrato com o terceiro. Isso é uma parte importante e, até mesmo, fundamental nesse tipo de relação, dado que o contrato possui cláusulas que deverão ser cumpridas e a legislação impõe uma série de compromissos das empresas nessa natureza de negócio. Existem, inclusive, excelentes empresas de prestação de serviços que apoiam contratantes e terceirizados nessa empreitada.

A pergunta que abre esta pensata tem o propósito de levar o leitor, seja você um empresário ou um executivo, à importantíssima reflexão sobre como está tratando o gerenciamento dos terceiros em sua empresa. A refletir se a sua empresa está tratando o terceirizado de forma despretensiosa, como um mero prestador de serviços, ou com o rigor de uma unidade organizacional de sua estrutura.

O terceirizado, afirmo, sempre estará desempenhando uma função que poderia ser executada por um departamento da estrutura da empresa, de um time da empresa. Desnecessário dizer, mas eu vou relembrá-lo, que se o terceirizado trabalha bem, a sua empresa trabalhará bem. Aliás, o terceirizado tem que ser melhor no que faz do que o seu time. Agora, e se for o contrário? Se o terceirizado estiver trabalhando mal, quem de fato estará trabalhando mal? Desnecessária a resposta, não é mesmo?

Portanto, gerencie o terceiro como se fosse uma unidade da sua empresa.  Tenho certeza de que o é em termos práticos. A única diferença é a forma da contratação – um contrato entre empresas.

Neste ponto de nossa reflexão, vale uma pausa para uma recomendação: cuidado com os aspectos da legislação trabalhista. Gerencie a empresa terceirizada e não o colaborador do terceiro. Caso contrário, sua empresa poderá entrar em um campo complicado, que é a judicialização trabalhista provocada pelo empregado do terceiro, que poderá alegar a subordinação como fator de vínculo empregatício. Os advogados entendem bem disso e poderão orientá-lo para não cair nessa armadilha.

Voltemos ao ponto central, à pergunta que abre esta pensata, em que arguimos como o organograma de sua empresa trata esta questão da terceirização. Recomendo que o organograma da empresa, seja no formato gráfico que for (clássico, circular, etc.), represente o terceirizado como uma área da empresa. Apenas tenha o cuidado de criar um mecanismo, como nos exemplos abaixo, para distinguir o terceirizado dentre as demais unidades organizacionais.

Por que é importante fazer essa representação no organograma? A resposta vai muito além do organograma em si. A resposta é porque assim, independentemente da gestão burocrática e legal dos contratos, estará claro a qual área o terceiro estará vinculado. Ou seja, ficará claro para toda a estrutura, inclusive para o terceiro, quem é de fato o gestor da terceirização, enquanto função sendo executada na empresa. Caberá à Gerência X, nos exemplos acima, a responsabilidade pela garantia do resultado do terceiro. Será ela que estabelecerá metas, padrões esperados de qualidade e de produtividade e tudo mais que é comum a qualquer processo gerencial. Com isso, você não corre o risco de sua empresa estar com um problema de qualidade ou de produtividade, acreditando e justificando que ele está fora, no ambiente externo. Não, você perceberá que o problema está dentro da empresa. Mais dentro do que você pode imaginar. Por outro lado, se o terceiro estiver bem gerenciado, e sendo ele um especialista naquilo que faz, sua empresa ganhará muito, até mesmo agregando diferenciais que o terceiro pode potencializar pelo seu nível de especialização e de excelência.

Caro empresário, caro executivo, eu aconselho: pense seriamente sobre isso. Não fuja desta reflexão, por mais que você tenha dúvidas sobre a sua importância. E se você for o terceiro, um conselho: solicite à empresa contratante que defina o seu gestor. Isso será bom para você também, pode ter certeza!

assinatura-carlos-p.

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