Turbulência

Turbulência no mundo corporativo, para efeito desta reflexão, é tudo aquilo que perturba a vida do executivo, do corpo gerencial e das equipes de um modo geral. São todos os fatores que dificultam a realização de um voo sereno rumo aos grandes objetivos organizacionais. Torna a rota insegura, por mais bem traçado que tenha sido o plano de voo.

Em minhas andanças, tenho visto como as empresas enfrentam as turbulências, sejam elas verdadeiros vendavais, sejam elas muito graves, sejam elas, ainda, mais brandas. As mais brandas são aquelas que você vive no dia a dia quando, por exemplo, negocia com um cliente mais exigente ou simplesmente quando administra um pequeno conflito instalado entre duas equipes. Já as mais graves podem ser um longo processo de recessão econômica, ou, como estamos vivendo ao longo do ano de 2020, podem ser de inéditos tempos para todas as organizações e para todos nós, provocado pela pandemia da COVID-19. Mais violentas ou mais brandas, as turbulências fazem parte do cotidiano das organizações. Assim, se não forem bem tratadas, as turbulências drenam a energia da equipe e influenciam negativamente o resultado da empresa. Por outro lado, se tratadas adequadamente, são férteis fontes de inovação e de aprimoramento organizacional.

Algumas empresas tratam as turbulências com galhardia, extraindo delas o que podem apresentar de melhor, como oportunidade de inovação, de desenvolvimento e, até mesmo, como fonte para construção de diferenciais competitivos. Já outras, transformam reuniões em muros de lamentações e, gradativamente, constroem uma cultura de insegurança, de reclamação, de isolamento, de falta de cooperação, de falta de competitividade e de um ambiente de problema permanente.

Existem empresas que vivem permanentemente em turbulência. Parecem escolher rotas onde o cinto de segurança deve estar permanentemente ajustado. Pilotos, tripulantes e passageiros não encontram tranquilidade na viagem. Fazem essa escolha simplesmente porque adquiriram o vício do ambiente instável e não sabem como sair dele. Quando a causa da turbulência é externa, esse paradigma toma força e elas, as empresas, seus executivos e gerentes, se sentem impotentes. Nesse contexto, as equipes, coitadas, ficam completamente à deriva.

O momento da pandemia do Coronavírus está provocando essa sensação de impotência em muitos gestores, inclusive em mim. Por isso, temos que buscar forças, estejam elas onde estiverem. As sábias palavras de Chieko Aoki, empresária e presidente do Grupo Hoteleiro Blue Tree, podem ser um alento nesses momentos. Diz ela: “É muito preocupante o que está acontecendo. Não se apavore, por mais preocupado que esteja. O desespero bloqueia a mente e nos impede de tomar as decisões corretas. Aprendi a sorrir para pensar com mais clareza”. Já o sábio Peter Drucker, considerado o pai da Administração moderna, disse: “o perigo dos tempos de turbulência não é a turbulência em si, mas sim agir com a lógica de ontem”.

Você, caro leitor, seja um executivo experiente, seja um gerente iniciante, ou um técnico de qualquer área, responda, bem silenciosamente, na intimidade de sua própria reflexão: você já passou por realidades como as retratadas aqui, para o bem ou para o mal? Faça sua análise crua: esse estilo, essa cultura, até que ponto tem influenciado o resultado da sua empresa? Como você tem enfrentado as turbulências? Tem seguido conforme os conselhos de Chieko Aoki, com consciência da gravidade, mas com serenidade e coragem? Tem observado os ensinamentos de Drucker, ou seja, seguido com a lógica do ontem ou com a visão no futuro e a ação no presente? Seja qual for sua resposta, pare, pense e faça sua escolha!

assinatura-carlos-p.

4 comentários em “Turbulência”

  1. Quero crer que seja um momento para se ter serenidade. Como diz o poeta, “faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro toca o barco devagar”.

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